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A palavra " carnaval " vem do latim * carnem levare * : abstenção
da carne, designando a véspera da Quarta - feira de cinzas, dia em que
se iniciava a abstinência da carne exigida pela Quaresma.
A festa denominada Carnaval surge do âmago de todo ser humano: da necessidade
de soltar os sentimentos e instintos reprimidos durante o ano. Paixão,
desejo, alegria gratuita: tudo reunido numa espécie de celebração
à vida e ao prazer. Supõe-se que a origem histórica do
Carnaval seja os saturnais romanos e festas primitivas em honra ao ressurgimento
da primavera, o reflorescimento da Natureza. O Carnaval assumiu características
distintas nos diferentes lugares em que se popularizou : Itália, Alemanha,
E. U. A. e Brasil.
HISTÓRIA DO CARNAVAL
No Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional, adquirindo
características distintas em cada região. O início dos
festejos foi o Entrudo, introduzido no Brasil pelos navegadores portugueses.
O festim originário da Índia consistia em uma " guerra "
de excrementos, talco e ovos jogados do alto das casas ou nas praças.
Outra brincadeira dos farristas era agarrar um desafortunado qualquer, tirar
suas roupas, dar um banho frio e devolvê - lo à rua. Assim eram
os festejos na Bahia e no Rio de Janeiro, em fevereiro do século XVI.
Entre 1870 e 1890 o Entrudo vem sendo lentamente substituído pelo Carnaval
: bailes em clubes e desfiles nas ruas, sendo as fantasias inspiradas em modelos
europeus e os próprios festejos importados da Itália. Surgiram
os Fantoches de Euterpe, a Cruz Vermelha e Os Inocentes em Progresso. Os negros
e mestiços vão sendo " afastados " da festa, tornando
- se meros espectadores dos desfiles e realizando clandestinamente suas batucadas.
Na década de 90, foram formados clubes " de negros " : Embaixada
Africana, Congada Africana e Pândegos da Àfrica. O Carnaval prosseguia
deixando aflorar o bom - humor e a espontaneidade do povo baiano, que se utilizava
da festa para satirizar os políticos com máscaras e marchinhas
irreverentes e brincar com a imaginação alheia se travestindo
de noiva ou freira. Nos anos 30 e 40 o brilho da festa foi esmorecido pelos
acontecimentos mundiais refletidos no Brasil : guerras e ditadura. Um fato marcante
no Carnaval baiano foi a passagem do grupo pernambucano de frevos " Vassourinhas
do Recife " pela Bahia. A recepção aos pernambucanos e ao
ritmo contagiante do frevo foi tão positiva que deu o impulso inicial
para Dodô e Osmar ( Adolfo Nascimento e Osmar Macedo ) desenvolverem o
trio elétrico, o " trio " que deu um novo tom ao Carnaval da
Bahia. Em 1950 Dodô e Osmar saíram às ruas num caminhãozinho
equipado com alguns poucos alto - falantes, fascinando o povo baiano. A iniciativa
de montar um trio elétrico passou a ser incentivada pelo governo e apoiada
pelos empresários e comerciantes. O Carnaval se consagra como festa "
da mistura " : de cor, de sexo, de classes sociais, de idade, todos seguiam
encantados o ritmo dos frevos e dobrados vindo dos trios elétricos. A
consagração de Caetano Veloso presenteia o Carnaval da Bahia com
um novo hino " Atrás do trio elétrico só não
vai quem já morreu ..." Os ares de descompromisso e liberdade da
juventude baiana dos anos 60 / 70 contagiam a democrática festa e a Praça
Castro Alves é invadida pela folia. As cores e o ritmo negro dos afros
e afoxés retomam seu espaço na década de 80 : Olodum, Araketu,
Ilê - Ayê e muitos outros mostram a efervescência cultural
resultante de um povo miscigenado. Luís Caldas e Paulinho Camafeu iniciam
uma fusão promissora : o deboche, mistura das danças africanas
com o reggae jamaicano. Essa fusão resultaria na axé - music :
Chiclete com Banana, Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho.... Multiplicam - se
os blocos de trio seguindo o exemplo dos pioneiros : " Os Internacionais
", " Camaleão " e " Tras a Massa ". O Carnaval
dos anos 80 / 90 já não é mais tão democrático
: cordas de blocos tiram o espaço dos " pipocas " ( foliões
sem bloco ). Mesmo assim o Carnaval não perde a originalidade, vide a
" Mudança do Garcia ", " As Muquiranas ", os trios
independentes...
A história do carnaval continua sendo escrita por cada gota de suor e
cerveja derramada por um povo alegre que apesar das dificuldades faz do Carnaval
uma festa bonita e inexplicável. Tem que ver pra saber...